Rindo a toa A VOLTA

 

Há muito tempo não venho por aqui.... mas vou voltar agora com mais crônicas.....

então vamos lá

 

a transitoriedade

A transitoriedade da vida

É sim um dos mais grandiosos mistérios

A falsa segurança das horas

Da família, do trabalho

Do dia a dia...

 

E assim vamos, aos poucos,

Ano após ano

Nos sentindo seguro

Certos de que temos controle

De nossos passos

De nossos sonhos

 

Hahahahah

 

Nada temos de absoluto

Nada detemos de certo

Vagamos em uma nau desgovernada

Dirigida por um louco

Cheio de som é fúria

 

Um deus brincando com dados aleatórios

Um sonho surrealista

 

E sim, nestas transitoriedades

Aprendemos, crescemos, evoluímos

E até mesmo morremos

Sem no final

Entender

O tal porque

 

O tal sentido da vida

 

E só ai  realmente percebemos

O quanto desperdiçamos tanto

Com tão pouco

E tão pouco com o muito que deveríamos

 

Mas... isto é o viver

E nada mais

Uma história que não nos pertence completamente

Uma caixa de pandora

Que pode ser aberta a qualquer hora...

Um vislumbre do infinito, um aleph

E toda a sua loucura

 

Um dizer alô, adeus, te vejo por aí

Ou não

Uma poesia que não leva a lugar algum....

E a todo lugar

A vontade de no fim te beijar

Só para não esquecer

Que mesmo nesta insegurança de viver

Há momentos de mais pura

Segurança e alegria

Fora da transitoriedade das coisas

E das criaturas...

poema longo

Como é difícil ser feliz...

Quando tudo parecer jogar contra

O tempo, o amor, as pessoas

Aqueles que mandam e desmandam

 

Como é difícil ser feliz

Com guerras, petróleo e todos os que mais...

 

Impossível parece esta tarefa

Neste mundo tão atroz...

 

Mas hora vejam...

Nascem as flores

E as crianças pobres ou ricas brincam

E o amor floresce em qualquer canto

 

E os mendigos correm

Com seus cachorros e suas carrocinhas

Como se não houvesse amanhã

 

E mesmo o mais desnaturado

Sonha em abraçar alguém

E ser abraçado...

 

Mas como é difícil ser feliz,

Porque parece que todos jogam contra

 

Mas ai então

Você ouve aquela música..

 

Aquela música

 

Que parecer ser escrita pra você

 

E um músico do metrô, uma poesia

Uma história de amor, um quadro

Uma fantasia

Um sentimento, um sei lá o quê

Uma abraço

Um querer bem

Um amasso

E ai....

 

A felicidade brilha em um instante

O clichê se mostra  tão deslumbrante

Aquele filme meloso te faz chorar

E ninguém pode te contestar

E a felicidade

Improvável aparece

E nunca foi tão fácil ser feliz

 

E o trabalho, o trânsito e as desilusões

Parecem que nunca existiram

 

E você ,ser humano, confinado

Neste planetinha azul

Percebe

Que podem te tripudiar

Podem te esmagar

Podem dizer que não existe

Podem assombrosamente

Te massacrar

 

Masss

Masss

Masss

A felicidade até existe.....

 

E apesar de toda a tristeza do mundo,

Toda a tristeza do fundo

Toda perda, dor e dissabor,

Todo o desamparo

Má influência, divergência, divórcio

Caos, guerra, torpor

 

Mesmo assim

 

Você sempre se lembrará

Do amor

Do primeiro beijo, do prazer do primeiro hambuguer

Da tua mãe te abraçando

To teu pai te apoiando

Dos teus amigos bêbados

Tirando onda com tudo e todos

Dos teus sonhos

E dos teus desejos

E daquele momento feliz

Só teu

Que ninguém

Mas ninguém mesmo

Poderá te tirar....

Aquele que ninguém

Mesmo saberá

E que quando

O fim das tuas horas

Chegar

E se perguntarem

Fostes feliz ?

Você saberá

Que sim

Você foi.....

 

um antonov

Queria ter um antonov
Para colocar dentro todos os que amo
Para poder
Sair por ai
Voando, sem destino


Parando em pequenas cidades
Sem aeroporto
Em campos 
Porque meu antonov
Poderia pousar em qualquer lugar

Como queria estar 
Dentro deste incrível
Avião russo desativado
Que não mais carregando armas
Estaria comigo indo e voltando
Para qualquer lugar que eu quisesse
Com meus amigos a bordo

Em uma incrível arca de Noé
De amigos only

Eu, o antonov, meus amigos
E todas as cidades do mundo
Perfeito, como deveria ser
E no som de bordo
Rock n roll
Velho e do bom
Como tinha que ser

Como o melhor sonho
Como o melhor sonho
Que eu poderia ter
Eu, o antonov e você

Um poema "Mal do século", tipo 200 anos depois... para você ver como o sentimento pode ser atual

Pequenas coisas construídas no dia à dia
Incertezas, dores 
Incongruências

E flanamos neste todo
Achando que entendemos algo
Que vou te dizer
Não temos a menor noção do que seja

Atravessando hora após hora
Dia após dia
Construindo um sólido castelo
De nada

Acreditando em histórias de amor
Orgias e outros que tais

Vislumbrando o infinito
E comendo bocados de marasmo
Que nos supre, é claro,

Mas que são só isso
Bocados

E nos convalescemos, nos doemos
Sem nem ter muito porquê
Na tradição humana
Do sadomasoquismo

Nos encerrando em dúvidas
E em diálogos tortos
Porque não temos mais nada
Do que esta triste encenação de viver

Não temos como prevalecer

E quando o cadáver frio
Estendido estiver na mesa de autópsia,
Catalogado,
Como tudo nesta grande vida moderna
Viraremos números incompreendidos 
Perdidos pelo tempo
Sem pessimismos, sem otimismos
Sem nada
Desnudos em nossas mais profundas incertezas

Seremos lembrados pelos que nos amam
Odiados pelos que nos odeiam
Esquecidos pelos que já nem se lembram de nós

E parte da história, 
Um história muito maior
que não terá tempo para se recordar dos “comuns”

e se formos lembrados por deus
como formigas
será pela parte que nos resta
Nesta tola jornada
Que se pode dizer
Existência

E então nestas reminiscências
Ficaremos atolados
Em um modo perpetuo
De nada, para nada, com nada
Em um abismo
De falsas esperanças....

amor, om

De toda certeza que tenho
Uma é absoluta
O fim dos meus dias
Dos meus sonhos
O fim
De tudo que hábito

De toda certeza que tenho
É que nenhuma dor é infinita
Que nada me consumira inteiro

Porque antes virarei cinza

De toda certeza que tenho
Há uma certeza absoluta
Que aqueles que me querem mal hoje
Me amaram
Em um dia qualquer de verão
E eu os amarei
Também
E tudo se findará em amor
Porque o homem
Do amor veio
E ao amor voltará
Quer ele queira ou não
Porque o amor rege o mundo
Apesar de todas as desilusões

E a única verdade
Acima de todas as verdades
É que a unicidade
Se estabelece
Além do dinheiro, além das falsas verdades
Além, além, além

E se consolida
Em uma única coisa permanente
O amor
De pai, de filho, de espírito santo
De amante, de puta, de mãe e de anjo
De menina, de menino, e menina para menina
E menino para menino
Amor
Antes de tudo
Depois de tudo
Único
Permanente
Este amor inconseqüente
Que se vê nas pedras
No mar, no ar
E em você
Talvez em mim
em deus
em tudo
em nada
em nós..
om,....

estranho sonho que é viver

Não há como negar,

Muitas vezes somos projetados

Nas ondas de lembranças

De coisas que nunca vivemos

De beijos que nunca demos

De músicas que não lembramos...

 

E sim, lembramos de sonhos, palavras

Que não foram ditas

Pelo que julgamos memória...

 

Lembramos de verdade enfim,

De filmes, livros e histórias contadas

que nosso imagimos ser

Melhor do que já nos foi

Para nosso próprio deleite...[

E encantados em enganos

Estes se emaranham e aos poucos

Com o tempo

Se tornam mais reais

Do que as verdades que temos...

E quando por fim

Percebemos

Aceitamos sermos filhos de reis e rainhas

de estarmos em campos de batalha sozinhos

de sermos heróis de histórias sem nexo

e quando fechamos os olhos

somos melhores até que o Hidalgo Don Quixote e seu amigo

Sancho Pancha

somos muito mais do que crianças

brincando no campo do senhor

somos mentira, mentira

que de tão bem contados por nós mesmo

se tornam

até mais do que somos

e depois se esvaem na neblina

deste estranho sonho

que é viver.....

 

não ser

Não é angústia
É uma ausência
Uma vontade de nada
Um querer não ser

Não é frustração
É uma falta de ação
Porque não há o que fazer
É um tempo perdido
É um não querer
Ficar à deriva
À margem da vida
É se esquecer.....

às vezes

Às vezes, a gente só quer um pouquinho do nada
Do nada que nos represente
Do nada que nos oriente
Do nada que sempre é tudo
Do nada no fundo do mundo

Às vezes, a gente só quer um pouquinho de jeito
Do jeito, que ela te olha
Do jeito, de abrir a porta
Do jeito de fingir indiferença
Do jeito que nos alimenta

Às vezessss
A gente só quer estar perto
Ou por perto
A gente só quer um pouquinho
De tudo
de um tudo....

E de pouquinho em pouquinho
E de jeitinho e jeitinho
e de nada para nada
Um pedaço de pizza
Um pedaço de mundo
O meu pedaço de mundo

às vezes....

Olho para olhos que nada dizem

Mas que disseram tanto

Histórias que se perderam

Em um emaranhado

 

Olho para quem amei

E que ainda amo

E que não está mais lá

Mesmo estando

 

Olho para sonhos perdidos

Sonhos fundidos

A felicidade plena

E perdida

 

Olho para olhos que serão sempre eternos

Os mesmos olhos, os mesmos olhos

Apenas em outra dimensão

Um paraíso .... o paraíso

De apenas um.....

 

E assim, fico eu sozinho

Contemplando a serenidade complexa

De quem se perdeu

Mas que ainda é

Quem eu mais amo.....

empoeirado

Tenho sentido

Que me guardo demais

Dentro de gavetas, de livros

Em cantos empoeirados

E me guardando

Acabo esquecido

Acabo esquecendo

E ai nada mais importa.....

se perder

Tão fácil seria

A indiferença

Indiferente

 

Seria fácil mentir

Se sentir seguro

Inseguro

Tão fácil seria

 

Olhar para teus olhos

Me perder

No fundo

Tão fácil seria

Morrer

Um segundo,

 

Tão fácil, inverossímil

Seria olhar

Fingir, seguro

No fundo

Me perder

 

Mas nada é tão fácil

Nada é

Tão seguro

Indiferente

Profundo

 

E eu não consigo me perder....

não se esqueça

Não se esqueça nunca,

Você será esquecido

 

Através das palavras dos outros

De outros sentidos subentendidos

Não se esqueça

Nunca

Teus lábios serão esquecidos

Por outros

E outros

E outros

 

A vida, a vida

Never stop

Não se esqueça nunca

Somos poeira

Somos asneira

Uma piada

 

Não se esqueça nunca

A festa nunca termina

Aqui, qualquer lugar

Onde dois, três, quatro

Se unirem

Não se esqueça nunca

A festa nunca termina

Mas você será esquecido

Mas a música não

A música nunca

Não se esqueça nunca

A música

Continua, continua

Para sempre.....

Se todos os pensamentos

Se todas as cores

E sentimentos

Por vezes

Se tornam cinza

 

Quero mais

Ver todas as matizes

Que o cinza

Em cinzas traz

 

Quero o gosto ocre

Da morte

Quero a sorte

Da dor em meu peito

Quero o luto

E todo o conceito

Do vazio

Da existência

Assim

 

Para então

Encerrar no fim

Todo prazer

Do não prazer

E com isso refazer

A vida

 

A vida

Colorida

Que reside

No fundo do poço

Que ascende

e revela

a grandeza

da natureza humana

de poder sobreviver

a tudo

e rir do mundo

e de todos os tenebrosos ínterins....

 

para o corvo que dorme ao meu lado

acordar e dizer

nunca mais....

escondido nos teus olhos

Escondo-me às vezes

Nos teus olhos

Absorto até adormeço

 

E quando percebo

Já é tarde

E não tenho mais como ir embora

 

Então eu fico quieto

Escondido nos teus olhos

E deixo você dormir....

E vou devagarzinho bisbilhotar teus sonhos

E neles roubar beijinhos teus

Fingindo ser Alain Delon, Di Caprio

Ou algo assim

Você nem sabe

E eu dou risada da travessura

 

Escondo-me às vezes nos teus olhos

Não há melhor lugar para ir

Talvez um dia você me deixe

Ficar livre por ai

Para a gente ficar se beijando

Dentro e fora dos sonhos

De olhos abertos baby

de olhos abertos....

 

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