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às vezes

Às vezes, a gente só quer um pouquinho do nada
Do nada que nos represente
Do nada que nos oriente
Do nada que sempre é tudo
Do nada no fundo do mundo

Às vezes, a gente só quer um pouquinho de jeito
Do jeito, que ela te olha
Do jeito, de abrir a porta
Do jeito de fingir indiferença
Do jeito que nos alimenta

Às vezessss
A gente só quer estar perto
Ou por perto
A gente só quer um pouquinho
De tudo
de um tudo....

E de pouquinho em pouquinho
E de jeitinho e jeitinho
e de nada para nada
Um pedaço de pizza
Um pedaço de mundo
O meu pedaço de mundo

às vezes....



Escrito por andy às 01h21
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Olho para olhos que nada dizem

Mas que disseram tanto

Histórias que se perderam

Em um emaranhado

 

Olho para quem amei

E que ainda amo

E que não está mais lá

Mesmo estando

 

Olho para sonhos perdidos

Sonhos fundidos

A felicidade plena

E perdida

 

Olho para olhos que serão sempre eternos

Os mesmos olhos, os mesmos olhos

Apenas em outra dimensão

Um paraíso .... o paraíso

De apenas um.....

 

E assim, fico eu sozinho

Contemplando a serenidade complexa

De quem se perdeu

Mas que ainda é

Quem eu mais amo.....



Escrito por andy às 01h49
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empoeirado

Tenho sentido

Que me guardo demais

Dentro de gavetas, de livros

Em cantos empoeirados

E me guardando

Acabo esquecido

Acabo esquecendo

E ai nada mais importa.....



Escrito por andy às 18h01
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se perder

Tão fácil seria

A indiferença

Indiferente

 

Seria fácil mentir

Se sentir seguro

Inseguro

Tão fácil seria

 

Olhar para teus olhos

Me perder

No fundo

Tão fácil seria

Morrer

Um segundo,

 

Tão fácil, inverossímil

Seria olhar

Fingir, seguro

No fundo

Me perder

 

Mas nada é tão fácil

Nada é

Tão seguro

Indiferente

Profundo

 

E eu não consigo me perder....



Escrito por andy às 20h40
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não se esqueça

Não se esqueça nunca,

Você será esquecido

 

Através das palavras dos outros

De outros sentidos subentendidos

Não se esqueça

Nunca

Teus lábios serão esquecidos

Por outros

E outros

E outros

 

A vida, a vida

Never stop

Não se esqueça nunca

Somos poeira

Somos asneira

Uma piada

 

Não se esqueça nunca

A festa nunca termina

Aqui, qualquer lugar

Onde dois, três, quatro

Se unirem

Não se esqueça nunca

A festa nunca termina

Mas você será esquecido

Mas a música não

A música nunca

Não se esqueça nunca

A música

Continua, continua

Para sempre.....



Escrito por andy às 22h25
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Se todos os pensamentos

Se todas as cores

E sentimentos

Por vezes

Se tornam cinza

 

Quero mais

Ver todas as matizes

Que o cinza

Em cinzas traz

 

Quero o gosto ocre

Da morte

Quero a sorte

Da dor em meu peito

Quero o luto

E todo o conceito

Do vazio

Da existência

Assim

 

Para então

Encerrar no fim

Todo prazer

Do não prazer

E com isso refazer

A vida

 

A vida

Colorida

Que reside

No fundo do poço

Que ascende

e revela

a grandeza

da natureza humana

de poder sobreviver

a tudo

e rir do mundo

e de todos os tenebrosos ínterins....

 

para o corvo que dorme ao meu lado

acordar e dizer

nunca mais....



Escrito por andy às 22h15
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escondido nos teus olhos

Escondo-me às vezes

Nos teus olhos

Absorto até adormeço

 

E quando percebo

Já é tarde

E não tenho mais como ir embora

 

Então eu fico quieto

Escondido nos teus olhos

E deixo você dormir....

E vou devagarzinho bisbilhotar teus sonhos

E neles roubar beijinhos teus

Fingindo ser Alain Delon, Di Caprio

Ou algo assim

Você nem sabe

E eu dou risada da travessura

 

Escondo-me às vezes nos teus olhos

Não há melhor lugar para ir

Talvez um dia você me deixe

Ficar livre por ai

Para a gente ficar se beijando

Dentro e fora dos sonhos

De olhos abertos baby

de olhos abertos....

 



Escrito por andy às 17h11
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quero você

Centímetros, metros, quilômetros

Me distanciam

Dos  teus olhos

 

Horas, minutos, segundos

Me separam

Dos teus braços

 

Teu corpo na tela do computador

 

Centímetros, metros, quilômetros

Me distanciam

Horas, minutos, segundos...

 - Quero te ter sem delay

Fora da webcam..

 

Quilômetros, metros, milímetros

Me afastam de você

 

O tempo por mais divisível

É apenas cruel

 

Quero você

Em todas as horas

Em todos os segundos

Você

Você

Em tempo real....



Escrito por andy às 14h47
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a eterna perda

Se a vida é uma eterna perda

Que pena é assim perder

Aqueles que nos valem a pena

 

Ver chegar o sol e partir

Ver os dias singrarem e ir

Ver a vida assim se esvair

Que pena a eterna perda

 

Se a vida é uma eterna perda

Que bom saber que é assim

Porque para se perder

Se teve,

e eterno é o que se teve enfim

 

Então se viver é dor

Que bom é poder então sentir

Que seja eterno enquanto dure

que possamos sempre lembrar

 

Pois se a vida é uma eterna perda

Esta perda há de voltar

E mesmo que não volte nunca

Ficou em um bom lugar

 

Um lugar que nunca se finda

Naqueles que sempre estão

Na perda daqueles que foram

Naqueles que um dia irão

 

Na dança da breve vida

Que sempre plena será

Na vida de eterna perda

Que um dia achado estará



Escrito por andy às 22h37
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a esperança

A esperança diluída

Em cápsulas encapsuladas

Forjada

Em esperança...

             A esperança

 

 

A esperança em pó

Em miligramas

Bilhetes e bíblias - seringas

              A esperança

 

 

A esperança

Em bancas de jornais

Farmácias, bulas e bebidas

                    A esperança

                           Com data de validade vencida

                                  A esperança

 

A esperança

Morta e renascida

Na TV, rádio, na foto da camisa

A esperança consumida.... 

              A falta de esperança

                  A esperança resumida

                     Em sinopse de filme

                                 Nem romance, nem crime

                                         A esperança

                                                   A esperança

 



Escrito por andy às 10h28
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finda ainda

O corte no supercílio não foi sentido.

Continuou correndo, correndo, correndo

Só se tocou quando sentiu seu rosto vermelho como um sinal de trânsito dizendo pare...

        Parou

Tentou entender o acontecido. .

 Entrou no bar e já sabia

 o que queria.

uma garrafinha brilhante, brilhante

que estava na primeira fileira , o esperando

Pegou-a pelo pescoço e disparou pela porta entreaberta,

e por um segundo viu tudo roxo

com a pancada que veio ao rosto.

 

O equilíbrio forjado pelos anos de embriaguez o fez cambalear

 para um lado e para o outro sem cair, nem titubear

 continuou correndo.

Sem deixar a garrafa no ar

 

 Apesar do corte e do cansaço ele tinha conseguido o seu intento .

Daqui a pouco estaria bêbado.

E mais um pouco no chão dormiria

E dormiria... novamente....e  sonharia novamente

E novamente acordaria para tentar outra garrafa....

 

Mas não mais desta vez....

O tiro o acertou no peito... caiu...

Caiu

            Caiu

                    Caiu

 a garrafa partindo em mil pedaços,

em mil pedaços se viu refletido mil vezes....

e o liquido misturado ao sangue,

findando no bueiro, tal como a vida finda

 

Tudo terminando assim

sem sentido

Com fora a sua vida

 sem certeza de começo, meio, ou algo assim

sendo apenas o fim, apenas o fim.

 

E o fim foi então assim



Escrito por andy às 16h23
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silêncio......

no hay banda

 



Escrito por andy às 17h21
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um novo começo

Um segundo

nada mais o mesmo

sangue, lágrimas

e a espera de um novo

começo.....



Escrito por andy às 11h40
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a sala vazia

Ela olhou para aquela sala vazia e pensou em quanta vez tinha estado naquele mesmo lugar, com tantas outras pessoas, em tantas outras emoções. Dias de sol, de chuva, de choro, de riso, dias inteiros sem fazer absolutamente nada, naquela sala, agora vazia.

Tentava se despedir, de todas as vidas que tivera ali... a menina, a moça, a mulher noiva, a mulher casada, e agora nada mais que não apenas ela, sem rótulos, apenas ela, velha, cheia de vida, e sem vida nenhuma

Ela olhou novamente para aquela sala vazia, de uma casa que já não mais a pertencia, era o tempo dizendo, tudo tem um fim, era o tempo dizendo, enfim, que agora ela seria outra, não mais a menina que cresceu, morou, viveu, naquela sala, agora sem retratos, sem decorações, sem nada.

A casa vendida, os pais mortos, a vida outra, o marido absorto, e ele ali olhando pela janela, uma janela de outras vidas, uma janela de outros tempos...

Ai que saudades, saudades dos amigos, dos filhos que foram pelo mundo, dos filhos que ficaram e que já não eram mais bebês, saudades.

Ela olhou para aquela sala vazia, vazia como o tempo e sentiu no peito o adeus

E disse  adeus, sorriu e nunca mais ninguém a viu, não do jeito que ela era naquela sala hoje vazia.



Escrito por andy às 01h25
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a cidade

Naquela cidade

Havia

Uma pequena praça

Hoje tomada

Por arranha céus

 

A igreja deixada ao leu

A cidade envelhecida

No bar do seu João

A lista de penhora

Dos antigos

Clientes

Já mortos

 

Naquela cidade

Havia

Moças virginais

Que hoje já são senhoras

E meninos

Que tinham pipas

E que hoje

Olham apenas para o céu

Tentando entender

O que foi feito das estrelas

O que foi feito da cidade....



Escrito por andy às 02h14
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