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a sala vazia

Ela olhou para aquela sala vazia e pensou em quanta vez tinha estado naquele mesmo lugar, com tantas outras pessoas, em tantas outras emoções. Dias de sol, de chuva, de choro, de riso, dias inteiros sem fazer absolutamente nada, naquela sala, agora vazia.

Tentava se despedir, de todas as vidas que tivera ali... a menina, a moça, a mulher noiva, a mulher casada, e agora nada mais que não apenas ela, sem rótulos, apenas ela, velha, cheia de vida, e sem vida nenhuma

Ela olhou novamente para aquela sala vazia, de uma casa que já não mais a pertencia, era o tempo dizendo, tudo tem um fim, era o tempo dizendo, enfim, que agora ela seria outra, não mais a menina que cresceu, morou, viveu, naquela sala, agora sem retratos, sem decorações, sem nada.

A casa vendida, os pais mortos, a vida outra, o marido absorto, e ele ali olhando pela janela, uma janela de outras vidas, uma janela de outros tempos...

Ai que saudades, saudades dos amigos, dos filhos que foram pelo mundo, dos filhos que ficaram e que já não eram mais bebês, saudades.

Ela olhou para aquela sala vazia, vazia como o tempo e sentiu no peito o adeus

E disse  adeus, sorriu e nunca mais ninguém a viu, não do jeito que ela era naquela sala hoje vazia.



Escrito por andy às 01h25
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